terça-feira, 20 de agosto de 2019

"Moro na encruzilhada: ministro enfrenta dificuldades em série dentro e fora do governo"

Sergio Moro

"Sergio Moro já atingiu uma marca considerável no Ministério da Justiça. Caminhando para completar oito meses no cargo, ele já superou a longevidade de 11 dos 30 antecessores que estiveram no cargo desde 1985, no período chamado de 6.ª República. A média de permanência é de 14 meses – abaixo do registrado nas pastas de áreas fundamentais como Educação (18) e Saúde (15,7), o que mostra a alta volatilidade do chefe do Palácio da Justiça na história recente do Brasil.

É consenso que Moro não é um ministro qualquer. Ele foi nomeado com a intenção de reformular o combate à corrupção e os sistemas de segurança pública no Brasil, tarefas que precisam de anos para serem concluídas. Mas a resiliência dele no cargo é destaque à medida em que a base aliada falha em blindá-lo ao mesmo tempo em que é execrado pela oposição – em um movimento constante desde o início do mandato, mas com carga máxima a partir da divulgação pelo site The Intercept Brasil de diálogos atribuídos a membros da Lava Jato.

Além disso, nos últimos meses, o ministro e o presidente Jair Bolsonaro travaram alguns embates velados e até explícitos – situações que no passado motivaram trocas ministeriais."


O ministro Sergio Moro mantém popularidade alta, mas encontra dificuldades para implantar sua agenda e é alvo de acusações.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Sergio Moro já atingiu uma marca considerável no Ministério da Justiça. Caminhando para completar oito meses no cargo, ele já superou a longevidade de 11 dos 30 antecessores que estiveram no cargo desde 1985, no período chamado de 6.ª República. A média de permanência é de 14 meses – abaixo do registrado nas pastas de áreas fundamentais como Educação (18) e Saúde (15,7), o que mostra a alta volatilidade do chefe do Palácio da Justiça na história recente do Brasil.

É consenso que Moro não é um ministro qualquer. Ele foi nomeado com a intenção de reformular o combate à corrupção e os sistemas de segurança pública no Brasil, tarefas que precisam de anos para serem concluídas. Mas a resiliência dele no cargo é destaque à medida em que a base aliada falha em blindá-lo ao mesmo tempo em que é execrado pela oposição – em um movimento constante desde o início do mandato, mas com carga máxima a partir da divulgação pelo site The Intercept Brasil de diálogos atribuídos a membros da Lava Jato.

Além disso, nos últimos meses, o ministro e o presidente Jair Bolsonaro travaram alguns embates velados e até explícitos – situações que no passado motivaram trocas ministeriais.


Lei do abuso de autoridade pode ser divisor de águas
A votação do projeto de abuso de autoridade pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14) tem potencial para desencadear um desgaste na relação de Moro com Bolsonaro. O texto, que havia sido aprovado no Senado em 2017, enquadra como crime vários métodos usados pela força-tarefa da Lava Jato – como a condução coercitiva, divulgação de gravações e uso de algemas quando não há resistência à prisão.

Desde a época em que era juiz, Moro se posiciona contra o projeto. Na quinta-feira (15), ele divulgou uma nota em que afirma que o projeto precisa ser bem analisado pelo governo “para verificar se não pode prejudicar a atuação regular de juízes, procuradores e policiais”.

O texto seguiu para análise do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem até o próximo dia 27 para sancioná-lo ou vetá-lo, no todo ou em parte. Bolsonaro já sofre pressão para vetá-la – embora isso possa azedar a relação do governo com o Congresso. Se sancionar, contudo, vai contrariar o ministro num tema sensível a Moro."