
O Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL) denunciou os conselheiros aposentados do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TC/AL) Isnaldo Bulhões Barros e Luiz Eustáquio Tolêdo, no caso de desvio de cerca de R$ 100 milhões da Corte de Contas, identificado no âmbito da Operação Rodoleiro, deflagrada pela Polícia Federal em 2011.
O MP pede que a Justiça afaste Isnaldo Bulhões do cargo de prefeito de Santana do Ipanema, para o qual foi eleito em 2016, pelo PMDB, com o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Além de pedir a quebra de sigilo e indisponibilidade dos bens de todos os acusados, e o ressarcimento de R$ 99,3 milhões pelos danos causados aos cofres públicos. O ex-conselheiro e atual prefeito é irmão do ex-governador de Alagoas Geraldo Bulhões e tem um filho homônimo deputado estadual.
A denúncia é fruto de investigações complementares do MP, que descobriu a participação dos ex-presidentes do TC de Alagoas no esquema e fez um aditamento à ação civil pública por atos de improbidade administrativa que havia sido protocolada em 2013 contra oito pessoas, dentre servidores do TC e funcionários do Banco Bradesco. Rodoleiro é o nome popular do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) e dá nome à operação por ser vilão de cavalos de raça iguais aos comprados com dinheiro do TC por alguns dos alvos da PF e do MP.
O conselheiro aposentado e prefeito no Sertão de Alagoas nomeou Dêvis Portela de Melo Filho e José Barbosa Pereira para as Diretorias Financeira e de Pessoal do TC de Alagoas. E, para o procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Menonça Neto e a promotora Cecília Carnaúba, Isnaldo Bulhões ajudou seus indicados, encobrindo as ações deles como operadores do desvio de recursos da folha de pagamento do Tribunal, “numa clara demonstração de violação aos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade”.