sábado, 17 de março de 2018

DEPUTADO REJEITA 'TOMA LÁ, DÁ CÁ' PARA DUELAR COM RENAN FILHO, EM ALAGOAS

Já cotado para disputar uma das duas vagas do Senado na oposição ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB-AL) agora é incentivado a concorrer ao Governo de Alagoas, contra a reeleição de Renan Filho (MDB). Ele é o nome natural para substituir o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), que anunciou estar fora da disputa na segunda-feira (12). Mas se o grupo de oposição quiser mesmo que Cunha os represente na disputa pelo cargo de governador, vai ter de lidar com uma postura nova, avessa ao “toma lá, dá cá” da distribuição de cargos tão comum às articulações de alianças majoritárias pela velha política alagoana.
Quem diz isso é o próprio Rodrigo Cunha, que tem como caminho natural a candidatura à Câmara Federal. O deputado estadual mais votado de Alagoas, em 2014, sinaliza que só irá para a disputa majoritária, se tiver o apoio popular, não apenas da classe política, de quem espera obter a compreensão sobre o alinhamento necessário com nomes comprometidos com os reais propósitos da vida pública.

DEPUTADO TUCANO NÃO QUER TRATAR COM A VELHA POLÍTICA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
“Percebo uma movimentação na classe política para que eu busque um cargo maior, mesmo todos sabendo a forma como trabalho – sem toma lá da cá, sem distribuição de cargos, sem assistencialismo. Mas, para mim, o mais importante não é o apoio de políticos e sim das pessoas. Isso me faz ter esperança de que há um movimento de mudança… Esta decisão não é só minha ou da classe política, e sim dos alagoanos e das circunstâncias. O jogo político majoritário do jeito que está posto, com negociações e nomes que não estão alinhados com o que eu acredito, é um impedimento”, disse Rodrigo Cunha, ao Diário do Poder.
O deputado tucano afirmou que, por ele, a decisão de Rui Palmeira de não disputar o governo não significa uma rendição da oposição ao projeto de reeleição do governador Renan Filho, considerado por ele mais um representante da velha política.
“Sou oposição ao governo Renan Filho, quando percebo que há posições e projetos que vão de encontro aos interesses da maioria dos alagoanos. Sempre digo que ele perdeu a chance de ser um gestor moderno, quando se rende aos interesses da velha política”, disse o deputado tucano.
Para Cunha, a sensação de escassez de nomes na oposição, com a saída de Rui Palmeira do páreo contra os Calheiros é sintoma de uma situação que o deputado disse que inspirou seu ingresso na política: “o distanciamento da população da política”.
“Precisamos ter boas opções, para tomar conta do que é nosso. Coisa que infelizmente hoje não vemos com tanta frequência”, lamentou Rodrigo Cunha.
ECONOMIZOU R$ 3 MILHÕES
Em seu 1º mandado na ALE, Rodrigo Cunha contrariou o contexto de exposição das vísceras da corrupção no Brasil e em Alagoas, onde dez colegas seus e dois suplentes foram indiciados pela Polícia Federal por suspeitas de desvios de R$ 15 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa. Enquanto isso, o deputado tucano economizou R$ 3 milhões, em seus três anos de mandato. E ainda é o deputado com maior frequência às sessões plenárias entre os 27 colegas de parlamento.
Para economizar este montante, Rodrigo Cunha simplesmente se recusou a indicar servidores de seu gabinete para que recebessem R$ 1 milhão por ano em recursos da Gratificação de Dedicação Exclusiva (GDE), vetada por decisão judicial em fevereiro deste ano.
Cunha criou o site Monitora Alagoas, que expôs e controla em tempo real o descumprimento de promessas do governador Renan Filho, que hoje tem 39% das promessas não iniciadas, 45% em andamento e apenas 5% concluídas.
O tucano é filho da deputada federal Ceci Cunha, que foi assassinada a mando de seu suplente, Talvane Albuquerque, no dia em que foi diplomada no cargo, em 16 de dezembro de 1998. E, em dezembro, um levantamento do jornal Estadão incluiu Rodrigo Cunha entre os 50 políticos mais promissores do País, com base em suas ações de comunicação online, que, na avaliação de especialistas garantem um bom desempenho nas redes sociais e será um diferencial para as eleições de 2018.
O deputado ainda contratou oito dos servidores comissionados de seu gabinete, via seleção pública para áreas especializadas como Tecnologia e Direito, desde 2015..