
Um dia depois de o vereador Adelmo Rodrigues de Melo, o “Neguinho Boiadeiro” (PSD), ser assassinado à porta da Câmara Municipal de Batalha-AL, sua viúva e sua filha disseram que a violência pode fazer a família deixar Alagoas. E acusaram o governador, Renan Filho (PMDB) de acobertar acusados e ignorar pedidos para intervir contra supostas ameaças de familiares do presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas (PMDB). A morte do vereador resgatou o clima de guerra entre os clãs Boiadeiro e Dantas, após tiroteios que deixaram três feridos, na última quinta-feira (9).
No local do crime, a viúva Mércia Boiadeiro e sua filha Bahia Boiadeiro pediram ajuda da Polícia Federal e da ministra-presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ao dizer não ter mais nada a perder e reforçar acusações de que a morte do vereador Neguinho Boiadeiro teria sido tramada pela prefeita de Batalha, Marina Dantas, e pelo seu marido, Paulo Dantas, que é filho do presidente da Assembleia.
“A gente se sentia ameaçado. Ninguém saía de dentro de casa. E pedia ajuda ao governador. E o governador virava as costas para a gente. E o governador ligou nesse instante para subsecretário de Segurança, que estava no hospital, dizendo que era para prender o meu irmão, que onde achasse, era para prender em flagrante. Então, olha governador, é pra você... Ninguém tem medo, não! Eu já perdi meu pai e não tenho mais nada a perder, não”, disse Bahia Boiadeiro.
A viúva Mércia Boiadeiro acusou o governador de conivência, quando a filha reafirmou que a família Boiadeiro não teria inimigos, além dos Dantas: “Acobertado pelo governador, está fazendo isso! Porque a polícia é do governador, quem manda é o governador!”. E a Bahia completou: “Tá bom de dar um basta, já! Vocês já mataram o Manoel [Emanoel Boiadeiro, morto em operação policial] tem um ano, já! Agora mataram meu pai, mataram Tigrão [José Marcos dos Santos], mataram todo mundo! Você pensa que é o quê? Vai matar nós tudinho?[sic] Oxe! E ninguém vê isso?”.
Mércia Boiadeiro ainda desabafa: “Nós tem que vender nossas fazendas[sic], para sair do Estado de Alagoas, antes que o governador mande acabar nossa família toda. [...] A Cármen Lúcia que ajude nós[sic]”.
