Só a cegueira ideológica de alguns militantes lulistas ou o cinismo dos instalados no poder negam a gravidade da crise brasileira. A conjunção da falta de credibilidade e legitimidade políticas, a crise moral com a corrupção na Petrobras, a crise econômica, tudo levou a agência de classificação de risco Standard & Poor’s a cortar a nota de crédito do Brasil, de BBB- para BB+, com perspectiva negativa. Com isso, o Brasil deixa de ter, por esta agência, o chamado grau de investimento, espécie de selo de bom pagador conferido ao país. Reações imediatas estão na alta do dólar e do euro, na queda das ações da Petrobras, na suspensão de investimentos o que agrava a perspectiva de queda do PIB e suas consequências funestas, lideradas pelo desemprego.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro de Fernando Henrique Cardoso que defendia um pacto de governabilidade a favor de Dilma Rousseff, agora admite que o governo acabou. “Para o governo dela é um baque muito forte. As repercussões políticas, neste caso, podem superar as econômicas. O governo dela já estava esfarelando, como falou o Fernando Henrique Cardoso, imagine a reação do mercado, do dólar, em função disso. A pressão dos empresários agora vai ser insuportável. Também já há um certo afastamento da classe política em relação ao governo dela. Acho que ela vai ter de renunciar. É o capítulo final.”
