O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, votou para condenar os irmãos Brazão por mandar matar a vereadora e seu motorista. Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator na íntegra.
Além de Domingos e Chiquinho Brazão, outros três réus respondem no processo:
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
- Ronald Paulo de Alves Pereira, major da PM;
- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos no TCE-RJ.
Na análise de Moraes, Ronald Pereira também deve ser condenado pelos homicídios. Já Robson Fonseca, por participação na organização criminosa, e Rivaldo Barbosa, por obstrução à Justiça e corrupção passiva.
Em sua fala, Moraes frisou a relação dos assassinatos com a questão das milícias no estado do Rio de Janeiro e apresentou argumentos para comprovar a relação dos irmãos Brazão com os criminosos da região desde o início dos anos 2000.
“A instrução processual, ao meu ver, comprovou a real interação da família Brazão com os chamados grupos milicianos notadamente das regiões de Jacuarepaguá, Largo do Tanque, Gardênia Azul, Oswaldo Cruz e arredores. Domingos Brazão, originário de Jacarepaguá inclusive fez dessa região, e depois seu irmão também, seu principal reduto eleitoral”, disse Moraes.
O ministro apresentou, inclusive, uma imagem de Domingos Brazão acompanhado do miliciano condenado Fininho, na região de Rio das Pedras, durante campanha eleitoral.
Mortes na democracia
Durante o julgamento, Moraes relacionou a morte da vereadora, em 2018, à infiltração criminosa nos parlamentos.
“A questão das mortes na democracia vem sendo muito estudada. Em recente estudo, de janeiro de 2026, é citado o número de crimes políticos com a infiltração do crime organizado nos parlamentos. Um desses casos é o caso de Marielle Franco. As democracias enfrentam desafios crescentes, ascensão da direita e infiltração do crime organizado”, afirmou.
De acordo com Moraes, durante seu voto, as ações de Marielle, na época, estavam “peitando” os interesses de milicianos e o crime evidencia “um episódio de violência política de gênero” para “interromper a atuação de uma mulher”.
“É uma mulher pobre e preta que ousou. E ela foi de encontro aos interesses de milicianos homens e brancos”, defendeu Moraes.
O segundo e último dia do julgamento sobre o assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro e de seu motorista, em março de começou nesta manhã. Durante a terça-feira (24), foi feita a acusação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e a sustentação de defesa dos acusados.
R7
