sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Curso de Medicina da Fatec Ivaiporã amplia atuação na rede pública e aproxima acadêmicos da rotina hospitalar


 














Um grupo de acadêmicos de Medicina da Fatec Ivaiporã caminha de jaleco branco e em silêncio pelo corredor do Hospital Regional. Está aprendendo a ouvir. Antes de exames ou diagnósticos a formação começa no diálogo.

É assim que a prática da Medicina é construída. No Hospital Regional, Instituto de Saúde Bom Jesus, Unidades Básicas de Saúde e no Centro de Saúde. Mantendo contato com o paciente. Desde os primeiros períodos, os acadêmicos deixam a sala de aula para enfrentar aquilo que livro algum ensina sozinho. Ou seja, a responsabilidade de cuidar.

No Hospital Regional, o aprendizado envolve raciocínio clínico estruturado. Sob orientação da médica intensivista Annika Paula Cecagno, responsável pela disciplina de Habilidades Médicas, os acadêmicos do 4º período são desafiados a investigar casos sem conhecer previamente o diagnóstico.

Raciocínio antes da resposta

Antes da chegada dos acadêmicos, a médica Annika Paula Cecagno conversa com os pacientes, solicita autorização e prepara o ambiente. Em duplas, os acadêmicos entram nos quartos, realizam a anamnese, conduzem o exame físico e constroem hipóteses.

Depois, voltam à sala de discussão para revisar cada detalhe. “A ideia é que os acadêmicos desenvolvam o raciocínio clínico. Não é só descobrir o diagnóstico. É entender por que chegamos ao diagnóstico e por que descartamos outras possibilidades”, explicou a médica intensivista.

Internado para a realização de uma cirurgia de hérnia umbilical, Abel Castro respondeu às perguntas referentes ao processo de investigação do caso. “Os acadêmicos perguntaram bastante e levantaram o histórico certinho. Foi um atendimento humanizado”, contou o paciente que se recupera do procedimento.

No Instituto de Saúde Bom Jesus, a médica Fredericka Strickert, que passou a integrar o corpo docente da Fatec Ivaiporã, acompanha as práticas hospitalares e também assume a parte teórica na graduação. Clínica geral com pós-graduação em Pediatria e Saúde da Família, a médica conheceu a estrutura da Fatec. “Há uma estrutura que permite crescer. O que vejo é organização e potencial para formar grandes médicos”, afirmou Fredericka Strickert.

Os acadêmicos percebem o impacto da convivência. Patrícia Gomes, 4º período, contou que a prática tem ampliado a compreensão da teoria. “O que aprendemos nos primeiros períodos faz sentido quando atendemos o paciente. É um grande aprendizado”, disse.

Yasmine Paracat disse que decidiu cursar Medicina após ser atendida por uma dermatologista que marcou a vida dela pela postura acolhedora. “Foi uma virada de chave. Eu queria fazer a diferença na vida das pessoas. Por isso, escolhi Medicina”, confessou.

Nos consultórios da UBS São Luiz, o aprendizado tem outro ritmo. O foco não está na prescrição e sim na compreensão do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), dinâmica da atenção primária e do vínculo médico-paciente.

Atenção Primária

O médico generalista Gustavo Bertotti, que atua como médico da família e comunidade, acompanha acadêmicos do 3º período. “O principal objetivo é entender como funciona o Sistema Único de Saúde, a organização de uma Unidade Básica de Saúde e como se conduz uma consulta. Medicamento vem depois. Em 1º lugar é a conduta e o olhar”, disse Gustavo Bertotti.

Os acadêmicos Matheus Stipp (Manoel Ribas) e José Bueno de Camargo (Cruzmaltina) reforçaram que a estrutura da rede municipal de saúde oferece campo de prática diversificado. “Durante o ensino médio passei a visitar faculdades para conhecer os cursos e optei por Medicina na Fatec. Quanto à experiência na UBS é muito importante conhecer cada setor”, comentou Matheus Stipp. Segundo José Bueno de Camargo estudar Medicina é um sonho e tornar-se cardiologista é uma das possibilidades.

A enfermeira Juliane Santos participa do processo de acolhimento dos acadêmicos na UBS São Luiz. “Orientamos, organizamos e mostramos a realidade diária. É uma troca de experiências”, garantiu.