quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Diretor de empresa usada pelo Master para captar R$ 12 bilhões é suspeito de lavar dinheiro no ‘tigrinho’

 


André Felipe de Oliveira Seixas Maia, de 54 anos, atuava como sócio principal da intermediadora de pagamentos Silium — apontada pela Polícia Civil de São Paulo como peça central de uma organização criminosa ligada a jogos de azar ilegais. A existência do inquérito, que corre sob sigilo, foi revelada pelo SBT News e confirmada pelo Estadão.

Dias após policiais do Deic tentarem intimar representantes da Silium, André Maia e outros três sócios deixaram formalmente a empresa, que passou a se chamar Nuoro Pay. Para a polícia, a mudança indica tentativa de ocultar a estrutura de controle da companhia diante do avanço das investigações.

Paralelamente, Maia mantinha vínculos com a Tirreno, empresa que cedeu cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos ao Banco Master entre janeiro e maio de 2025. Esses ativos foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões. A Polícia Federal considera os créditos inexistentes e aponta a Tirreno como empresa de fachada. Maia também é suspeito de ter fornecido documentos falsos ao Banco Central do Brasil.

No campo das bets ilegais, a investigação aponta que a Silium/Nuoro Pay administrava contas bancárias usadas para receber apostas por meio de empresas de fachada, dificultando o rastreamento dos valores. O esquema utilizava “contas-bolsão”, modelo já identificado em apurações envolvendo o Primeiro Comando da Capital.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, há indícios de uma estrutura sofisticada, com atuação transnacional, voltada a jogos de azar ilegais, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

A defesa de André Maia nega qualquer irregularidade e afirma que sua inocência será comprovada ao longo da investigação, ainda em andamento.