A aplicação foi autorizada por meio do uso compassivo, mecanismo regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando não há alternativas eficazes disponíveis e o paciente atende a critérios rigorosos. O medicamento é desenvolvido pelo Laboratório Cristália através de pesquisa liderada pela bióloga e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O neurocirurgião e professor da Unioeste Lázaro de Lima explica que a indicação foi cuidadosamente analisada. “Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização, avaliamos que ele tinha critérios para receber a polilaminina. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos à Anvisa a liberação para uso compassivo”, disse.
Lesões medulares, como a que acometeu o paciente, costumam provocar comprometimento motor e sensitivo abaixo do nível da lesão. A vértebra T3 está localizada na porção superior da coluna torácica. Danos nessa região podem afetar tronco e membros inferiores, impactando diretamente a autonomia do paciente.
É nesse cenário que a polilaminina surge como uma possibilidade científica. A proposta do produto é atuar como uma matriz biológica capaz de favorecer a reconexão neural, criando um ambiente mais propício para regeneração das fibras nervosas lesionadas. Ainda não se trata de um tratamento aprovado comercialmente, mas de uma alternativa experimental baseada em anos de pesquisa.
