quarta-feira, 24 de junho de 2026

Quedas provocam milhares de mortes no mundo e idosos são os mais afetados nos acidentes


 













Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos quase 700 mil pessoas morrem em decorrência de quedas, tornando esse tipo de acidente a segunda principal causa de morte por lesões não intencionais no mundo, atrás apenas dos acidentes de trânsito.

Esse tipo de acidente, entre a população idosa, é ainda mais preocupante. No mundo todo, estima-se que entre 30% e 40% das pessoas com mais de 65 anos no mundo sofram pelo menos uma queda por ano, índice que aumenta conforme o avanço da idade.

Hoje é o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, que visa exatamente chamar a atenção e prevenir as ocorrências.

Em Curitiba, o cenário não é diferente. Cerca de 28% a 30% das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas anualmente e, entre indivíduos acima de 70 anos, a proporção atinge 42%. O risco é progressivo e diretamente proporcional ao envelhecimento fragilizado, diz a médica geriatra Ivete Berkenbrock, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que sete em cada dez mortes acidentais de pessoas com mais de 75 anos são provocadas por quedas. Cerca de 70% desses acidentes acontecem dentro de casa, local onde muitos riscos passam despercebidos por familiares e cuidadores.

As quedas entre pessoas idosas também representam um importante desafio para o sistema de saúde. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS mostram que milhares de idosos são internados anualmente em decorrência de quedas, especialmente por fraturas de fêmur, punho, coluna e traumatismos cranianos.

Além do sofrimento físico e emocional, esses acidentes geram elevados custos assistenciais, envolvendo atendimento de urgência, cirurgias, internações prolongadas, reabilitação e necessidade de cuidados de longo prazo.

Elisangela Chaves, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), reforça a importância da prevenção diante de um problema que cresce na mesma velocidade do envelhecimento da população.

Segundo a geriatra Elisangela Chave, o risco de quedas costuma ser resultado da combinação de diversos fatores como a perda progressiva de força e massa muscular denominada sarcopenia, alterações do equilíbrio, déficit visual, comprometimento cognitivo e doenças crônicas como diabetes, doença de Parkinson, artrose e sequelas de acidente vascular cerebral.

“As deficiências nutricionais, especialmente a insuficiência de vitamina D, também contribuem para a fragilidade muscular e para os problemas de equilíbrio. Os medicamentos como sedativos, antidepressivos, alguns anti-hipertensivos e, sobretudo, a polifarmácia que é o uso de múltiplos medicamentos também aumentam significativamente o risco de quedas”, acrescenta.