A fuga de Flavio Bolsonaro (PL-RJ) para os EUA abriu caminho para Michelle Bolsonaro ampliar sua influência dentro do PL e disputar a liderança política do bolsonarismo. Em meio à irritação de dirigentes e parlamentares com a saída do candidato derrotado à Presidência, Valdemar Costa Neto recebeu a ex-primeira-dama para discutir o futuro do partido.
“Recebi hoje a senadora eleita Michelle Bolsonaro para uma conversa sobre o futuro do nosso partido e os desafios que temos pela frente”, escreveu Valdemar em uma publicação acompanhada de uma fotografia dos dois. O presidente do PL destacou a necessidade de união e diálogo, mas não fez qualquer referência a Flávio, que havia prometido permanecer no Brasil para liderar a oposição ao governo Lula.
O encontro ocorre em um momento de desgaste da liderança do senador. Sua saída do país, sem comunicação prévia à direção partidária, provocou incômodo entre parlamentares que consideram a decisão prejudicial à reorganização da direita após a derrota eleitoral.
O desconforto ficou evidente na entrevista coletiva concedida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, na porta da sede do PL, em Brasília, no fim da tarde desta terça-feira.
“Nós estamos surpresos, porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição”, declarou Marinho.
Segundo ele, Flávio enviou uma mensagem por volta das 8h informando que precisava de um tempo e voltaria a conversar com os aliados. Desde então, o coordenador da campanha afirmou não ter recebido novas informações sobre seu paradeiro. Marinho criticou as medidas judiciais contra o senador e disse compreender uma eventual saída do Brasil, mas evitou endossar a decisão. “Eu disse que compreendo. Eu não disse que concordo”, afirmou.
