O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia de fato pedindo a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a partir de informações reveladas pelo ICL Notícias, sobre conexões empresariais entre uma empresa do parlamentar e a rede ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A representação, apresentada pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito para apurar a existência de vínculos patrimoniais, contábeis e empresariais entre a Bravo Grafeno, da qual Flávio é sócio, e pessoas e empresas relacionadas ao Careca do INSS. Lindbergh também solicita quebra de sigilos bancário e fiscal, relatórios do Coaf, perícia contábil e buscas e apreensões.
Ao ICL Notícias, Lindbergh classificou as descobertas como “devastadoras” e afirmou que Flávio deveria desistir da candidatura à Presidência da República.
“É uma revelação devastadora. Liga diretamente Flávio Bolsonaro ao Careca do INSS. É gravíssimo, gravíssimo. Eu só vejo um caminho: a desistência da candidatura do Flávio Bolsonaro depois dessas revelações”, afirmou.
O deputado também relacionou o novo episódio às investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
“Além da ligação com Vorcaro, está comprovada a ligação direta com o Careca do INSS pela sala, pelo contador Alexandre Caetano dos Reis, que está preso, que era o contador do Careca e o contador do Flávio Bolsonaro”, disse Lindbergh.
A afirmação de que existe uma ligação comprovada é uma avaliação do deputado. A notícia de fato pede justamente que a PGR investigue a natureza e a extensão dos vínculos identificados e se houve trânsito de recursos entre as estruturas empresariais.
A iniciativa foi motivada pela reportagem publicada pelo Núcleo Investigativo do ICL Notícias na sexta-feira (11), que revelou que a Bravo Grafeno declarou como endereço a sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. No mesmo local estão registradas, segundo dados públicos da Receita Federal, ao menos 16 empresas vinculadas ao Careca do INSS.
Entre elas está a Prospect Consultoria Empresarial. Segundo o relatório final da CPMI do INSS citado na representação, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas pela cobrança de descontos associativos sobre benefícios previdenciários. Desse total, R$ 115,9 milhões vieram da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.
A coincidência de endereço não é o único elemento levado à PGR. A apuração do ICL também identificou uma conexão por meio da contabilidade da empresa de Flávio.
Em diligência no Connect Towers, a reportagem foi informada de que a sala 2601 era ocupada pela Voga Serviços Contábeis. Funcionários do prédio confirmaram a presença da empresa no local. O advogado Thalles Setúbal, que recebeu a reportagem, confirmou que a Voga presta serviços à Bravo Grafeno, embora tenha negado que a sala 2601 pertença à contabilidade e afirmado que o espaço seria de trabalho compartilhado.
A Voga pertence a Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro de 2025 e que foi sócio do Careca do INSS em uma offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas. De acordo com a representação, Alexandre também atuou como contador de diferentes empresas ligadas ao núcleo investigado pela Polícia Federal.
A conexão vai além da Bravo Grafeno: a Voga também é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
Na notícia de fato, Lindbergh sustenta que essas descobertas acrescentam dois elementos novos a uma comunicação anterior feita por ele à Polícia Federal: o compartilhamento do endereço da Bravo Grafeno com 16 sociedades ligadas ao núcleo investigado e a contratação, pela empresa de Flávio, da contabilidade pertencente a um ex-sócio do Careca do INSS.
