quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Operação mira esquema milionário de corrupção e propina no sistema prisional de Londrina

 


Um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários no sistema prisional do Paraná é alvo da Operação Profundidade, deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público (MPPR) e pela Polícia Civil. A ação investiga fraudes em contratos e o pagamento de propina no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), no Departamento de Polícia Penal do Estado (Deppen) e no Conselho da Comunidade local.

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra seis empresários e oito policiais penais que ocupam posições de destaque. A lista de alvos inclui um ex-diretor-geral do Deppen, o atual chefe de Inteligência do órgão, a atual presidente do Conselho da Comunidade e a esposa de um dos agentes, apontado como o principal beneficiário do esquema. As buscas, autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Londrina, resultaram na apreensão de equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em dinheiro vivo, montante que estava dividido nas residências de três investigados. Durante a ação, uma pessoa foi presa em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

As investigações do Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público (Gepatria) e da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) revelam que a quadrilha atuava em duas frentes principais. A primeira consistia no recebimento de propina de detentos em troca da concessão indevida de benefícios na execução penal. A segunda frente envolvia o direcionamento fraudulento de contratações feitas pelo Conselho da Comunidade. Para garantir a vitória nas licitações, empresas ligadas a três núcleos distintos eram utilizadas para simular concorrência e encobrir os desvios.

O esquema foi descoberto a partir de denúncias anônimas e aprofundado com a quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. As autoridades identificaram que os policiais penais movimentavam quantias milionárias e incompatíveis com seus salários, além de receberem repasses injustificados de empresas fornecedoras. Para burlar os órgãos de controle financeiro, a organização utilizava uma tática conhecida como "smurfing", que consiste em realizar depósitos fracionados, em diferentes transações, dificultando o rastreio e ocultando a origem ilícita dos recursos. Todo o material apreendido será agora periciado para identificar a real extensão das fraudes e o destino final do dinheiro movimentado.