quarta-feira, 22 de julho de 2026

MP-PR denuncia por tortura e lesão corporal pai filmado chutando a filha no PR

 














O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou por tortura e lesão corporal, no contexto de violência doméstica, o homem de 31 anos flagrado por câmeras de segurança chutando a própria filha de três anos em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado. A denúncia foi protocolada na terça-feira (21) pela 1ª Promotoria de Justiça do município, que também solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva do agressor.

Além do episódio de violência que ganhou repercussão nacional, as investigações revelaram um histórico de abusos cometidos entre os meses de junho e julho. Segundo a promotora Silvia Skaetta Donatti, o pai submetia a menina e o irmão dela, de cinco anos, a castigos físicos cruéis, como obrigá-los a ajoelhar sobre tampinhas de garrafa, grãos de feijão e milho de pipoca. O MP-PR destacou na denúncia que a prática tinha o claro objetivo de provocar intenso sofrimento físico e mental nas vítimas. A promotoria considerou a atitude humilhante e intimidatória, agravada pela extrema vulnerabilidade das crianças, que estão em fase de desenvolvimento e possuem reduzida capacidade de compreensão e resistência.

O documento do Ministério Público detalha ainda duas ocasiões específicas de lesão corporal. No dia 2 de julho, o menino de cinco anos foi agredido no rosto com um pedaço de madeira, violência que foi comprovada por meio de fotografias anexadas ao processo. Três dias depois, em 5 de julho, ocorreu a agressão contra a menina registrada em vídeo. Durante uma caminhada na rua com os dois filhos, o homem parou e desferiu um chute na filha mais nova, derrubando-a no chão. O órgão ressaltou que a gravidade dos atos é ampliada pelo fato de terem sido praticados pelo próprio genitor, figura que deveria assegurar proteção e cuidado.

O caso veio à tona após as imagens da agressão viralizarem nas redes sociais. Na ocasião, um pedestre que passava pelo local chegou a tentar intervir, mas foi confrontado pelo autor. A mãe das crianças registrou boletim de ocorrência apenas dois dias depois, logo após tomar conhecimento do vídeo. Inicialmente, o homem se apresentou de forma espontânea à delegacia, alegou em depoimento ter "perdido a cabeça" porque a menina chorava na volta de um mercado, e foi liberado por não estar em situação de flagrante. 

Com o avanço das apurações e a oitiva de familiares, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, que foi decretada pela Justiça. O homem segue detido, e a denúncia agora será analisada pelo Poder Judiciário, que decidirá se ele se tornará réu pelos crimes.