quarta-feira, 18 de março de 2026

Caminhoneiros ameaçam greve ‘nos próximos dias’ e reclamam de governo sobre alta do diesel


 












Caminhoneiros de diferentes regiões do Brasil podem iniciar uma greve nos próximos dias. A categoria se diz descontente com o aumento do custo do diesel e com medidas adotadas pelo governo para conter a alta do combustível.

Recentemente, o governo anunciou um pacote de renúncia fiscal do governo para baratear o diesel e reduzir o impacto da crise internacional sobre o combustível. A diminuição poderia chegar a R$ 0,32 por litro de diesel. Contudo, poucos dias depois, a Petrobras aumentou o preço do diesel nas refinarias — o que, na prática, anulou o efeito da redução tributária, uma vez que o aumento chegou a R$ 0,38 em algumas regiões.

À reportagem, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que a articulação envolve não apenas os motoristas autônomos, que sua associação representa, mas também os “celetistas”, que são contratados por empresas de transporte.

“O que foi feito até agora não serviu para nada. O governo já sabia que a Petrobras ia aumentar o preço do diesel depois. Então, na prática, não gerou redução nenhuma. Precisamos ter alguma garantia”, afirmou Landim.

A categoria vinha travando conversas ao longo dos dias com o governo sobre o aumento do preço dos combustíveis por meio de representantes da Secretaria-Geral e do Ministério dos Transportes, além de integrantes da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O governo tem monitorado o andamento das mobilizações para caso a paralisação se confirme.

Não há uma data para a greve. Lideranças do setor afirmam que a categoria já deliberou a favor de cruzar os braços e, segundo Landim, trabalham na articulação com entidades regionais, cooperativas e transportadoras para alinhar uma data e ampliar a adesão ao movimento. O governo vê sinais de abuso de preços praticados na bomba e diz que vai fiscalizar os postos.

Segundo Landim, há mobilização para paralisação nacional entre entidades de Santos (SP), Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás. “A categoria deliberou para cruzar os braços, não tem condições de manter o trabalho. Entendemos os fatores externos, mas somos dependentes de 20% a 30% de importação isso torna a situação insustentável”, disse.