Nos bastidores, a leitura no grupo governista foi pesada. Segundo fontes próximas a Ratinho a Paraná Pesquisas pode ter implodido de vez a pré-candidatura de Guto. O motivo é simples: a sondagem libertada pela Justiça não mostrou apenas dificuldade de crescimento. Mostrou teto baixo, ausência de tração e incapacidade de herdar, até aqui, o capital político de um governador bem avaliado.
A situação piora quando se olha os outros cenários testados. No cenário em que Rafael Greca (PSD) entra na disputa, Guto marca 4,5%, enquanto Greca vai a 19,1%. No cenário em que Alexandre Curi fica fora e a disputa se afunila, Guto sobe só para 5,5%, ainda muito distante de Moro, que alcança 47%, e de Requião Filho, com 26%.
Em outras palavras, o continuísmo não apareceu como força. Apareceu como problema.
O dado é ainda mais incômodo para o Palácio porque Ratinho segue forte como cabo eleitoral potencial. A aprovação do governo permanece em 84,3%, e a soma de ótimo e bom chega a 70,9%. Mesmo assim, esse ativo não está sendo transferido automaticamente para o seu escolhido.
Em um grupo de WhatsApp que reúne aliados do governador, segundo relatos repassados a frustração com Guto já não é disfarçada. A avaliação corrente é que a candidatura “subiu no telhado”, porque o secretário não se firmou nem como polo de unidade do PSD nem como nome competitivo fora da máquina. Eles reivindicam a substituição do pré-candidato, sob pena de humilhação nas urnas.
O problema político se mistura agora com um passivo administrativo explosivo. Prefeitos estariam cobrando as chamadas “prioridades abertas” no orçamento, anunciadas em vídeos por Guto Silva, mas sem lastro financeiro suficiente para sair do papel. Segundo informações obtidas o teto dessas promessas teria estourado em cerca de R$ 6 bilhões. Na prática, prefeitos teriam cantado obras em seus municípios, contratado projetos e assumido custo político local sem garantia de execução.
Esse ponto é especialmente sensível porque mexe com a sobrevivência dos próprios aliados de Ratinho nas cidades. Quando o município divulga uma obra e ela não acontece, o desgaste recai primeiro sobre o prefeito. E esse desgaste pode cobrar seu preço em 2028, na reeleição dos gestores ou na manutenção dos grupos que hoje orbitam o Palácio Iguaçu.









Foto: Reprodução/X/Sam Pancher