O Paraná consolidou-se como a principal porta de entrada desses produtos devido aos 200 quilômetros de fronteira seca e fluvial no Oeste do estado. Dados da Receita Federal em Foz do Iguaçu reforçam o cenário: entre janeiro e maio deste ano, foram apreendidos 64 mil emagrecedores, volume 700% superior ao total registrado em todo o ano de 2025.
A ascensão deste mercado ilegal é atribuída à alta lucratividade e à facilidade logística. De acordo com o Idesf, as organizações criminosas migraram para produtos de maior valor agregado, aproveitando uma margem de lucro que chega a 415%, superada apenas pelo cigarro.
A disparidade tributária entre os países também impulsiona o crime, já que a carga sobre medicamentos é de aproximadamente 5% no Paraguai, contra 20% no Brasil. Além disso, o tamanho reduzido de comprimidos e canetas facilita a ocultação em roupas e mochilas, dificultando a fiscalização, que intercepta entre 5% e 10% do total movimentado.
O estudo do Idesf revela ainda que o mercado de contrabando, que movimenta cerca de R$ 60 bilhões anuais na fronteira, deixou de ser uma atividade pulverizada para ser controlada por facções criminosas. Grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho estruturaram rotas e logística de distribuição, tornando o contrabando uma fonte de renda tão rentável quanto o tráfico de drogas. Atualmente, o mercado ilegal de cigarros e medicamentos já rivaliza com o faturamento da cocaína para o crime organizado.
A importação desses fármacos é restrita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proibiu recentemente o uso e a entrada de marcas específicas de Tirzepatida, principais alvos de apreensão na Ponte da Amizade.
O crime de contrabando prevê pena de dois a cinco anos de reclusão. As autoridades alertam que o consumo desses produtos clandestinos viola normas sanitárias e oferece riscos graves à segurança e à saúde pública, uma vez que não há garantias sobre a procedência ou composição dos emagrecedores.








