Kellen deu entrada na unidade de saúde inicialmente com fortes dores abdominais, mas o quadro clínico evoluiu rapidamente para problemas neurológicos. A equipe médica trabalha com a suspeita de que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura, afetando a fala, os movimentos corporais e o funcionamento de órgãos vitais.
A filha da paciente, Giulia Antunes, confirmou que o diagnóstico inicial apontou para intoxicação medicamentosa. A família tentou auxiliar no tratamento levando o produto usado para exames, mas houve dificuldades técnicas. "Meu pai pegou a ampola aqui em casa e levou para o hospital para fazer a análise, mas lá eles não conseguiram analisar porque era um medicamento do Paraguai", relatou Giulia.
Riscos e procedência duvidosa
O caso reforça o alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os perigos de medicamentos não regulamentados. Segundo a agência, produtos sem registro não possuem garantia de eficácia ou segurança, expondo o paciente ao risco de utilizar substâncias diferentes das informadas no rótulo ou em condições sanitárias precárias.
O endocrinologista Márcio Lauria destaca que o uso de canetas emagrecedoras pode ser eficaz no tratamento da obesidade quando há indicação médica e compra em locais certificados, como farmácias. Ele adverte contra a aquisição via revendedores não autorizados ou clínicas de manipulação duvidosas. "Toda vez que você ingere um medicamento que não sabe a procedência, pode conter qualquer coisa ali dentro. Às vezes, você compra um produto que não teve o cuidado necessário para a segurança e a eficácia", explicou o especialista.Fiscalização
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que a fiscalização desse tipo de comércio é responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal. O órgão atua verificando a procedência, autenticidade (rótulos), condições de armazenamento e a habilitação dos estabelecimentos.
Em casos de irregularidades, os produtos são apreendidos e o local pode ser interditado e multado. A administração municipal reforça que denúncias sobre vendas suspeitas devem ser feitas pelos canais oficiais, como o telefone 156 ou o portal de serviços da prefeitura








