A partir desta quarta-feira (21), o Paraná está com alerta amarelo para tempestades. O alerta amarelo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), representa perigo potencial e vale para a metade Oeste do Estado. De quinta-feira (22) até o fim de semana, passa a valer para todas as regiões paranaenses.
O alerta amarelo é o mais fraco de todos os alertas (laranja e vermelho), mas mesmo assim representa possibilidade para chuvas entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h) e formação de granizo.
As temperaturas ficam mais altas no interior, mas mesmo assim não devem chegar aos 30ºC. Na parte mais Sul do Paraná, também não deve fazer calor, mas as mínimas não ficam muito baixas.
Em Curitiba, o padrão é o mesmo: chove a qualquer hora do dia de quarta-feira até o domingo (25), com temperaturas amenas mesmo durante a tarde. Apenas no domingo de eleições de segundo turno a máxima deve chegar aos 25ºC. Já a próxima semana deve começar com sol.
Um homem ficou gravemente ferido após ser atropelado por um trator em um acidente de trabalho na manhã desta terça-feira (20), na zona rural de Kalore PR.
A ocorrência foi registrada no distrito de Jussiara. A vítima recebeu os primeiros socorros e foi encaminhada inicialmente ao Hospital Municipal, mas, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser transferida às pressas para o Hospital da Providência, localizado em Apucarana.
O deslocamento do paciente começou sendo acompanhado por um médico da rede de saúde do município. Durante o trajeto na rodovia, a ambulância foi interceptada por uma unidade de suporte avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que assumiu os cuidados intensivos e concluiu a transferência com segurança até a unidade hospitalar apucaranense.
De acordo com relatos preliminares de moradores da comunidade, o acidente teria acontecido no momento em que o trabalhador tentava empurrar o maquinário agrícola, momento em que o veículo acabou passando sobre o seu corpo.
As circunstâncias exatas do atropelamento, no entanto, ainda estão sendo apuradas. Até a publicação desta reportagem, não havia mais informações sobre o quadro de saúde da vítima.
A coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, defendeu a substituição gradual de servidores públicos por inteligência artificial, em vez da realização de novos concursos para repor profissionais aposentados. A proposta foi apresentada em entrevista ao podcast G4, em 30 de setembro, e voltou a repercutir nesta segunda-feira, quando a economista tentou justificar suas declarações durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan.
Na entrevista ao G4, Daniella sugeriu que vagas abertas com a aposentadoria de servidores deixassem de ser preenchidas por novos funcionários e fossem gradualmente substituídas por sistemas de inteligência artificial.
“E aí substitui e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, questionou.
A proposta abre caminho para uma redução progressiva do funcionalismo público. Em vez de realizar concursos para repor parte dos trabalhadores que se aposentam, o governo poderia transferir suas atribuições para sistemas automatizados, diminuindo o número de servidores ao longo dos anos.
A economista não apresentou, na declaração, uma estimativa de quantos cargos poderiam ser substituídos, quais carreiras seriam afetadas ou como seria garantida a continuidade dos serviços prestados à população.
Daniella já havia defendido redução do funcionalismo em agosto
A entrevista de 30 de setembro não foi a primeira ocasião em que Daniella apresentou a possibilidade de substituir servidores públicos por inteligência artificial.
Em 6 de agosto, durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, a economista já havia questionado quantas carreiras administrativas poderiam ser substituídas por tecnologia nos próximos cinco ou dez anos. A ideia foi apresentada como uma forma de reduzir os custos da máquina pública.
Ainda em agosto, durante o 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, Daniella voltou ao assunto diante de empresários. Na ocasião, defendeu a revisão de carreiras administrativas e operacionais em razão dos avanços da inteligência artificial, relacionando a medida ao enxugamento da estrutura estatal.
No podcast G4, a economista avançou na explicação de como essa redução poderia ocorrer: por meio da substituição gradual dos servidores que se aposentassem, sem a realização de novos concursos para determinados postos.
A proposta provocou críticas de entidades representativas do funcionalismo. Em 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) publicou um texto sobre os riscos da substituição de servidores por inteligência artificial.
Após repercussão, coordenadora tenta justificar proposta
Nesta segunda-feira (19), durante nova participação no Pânico, Daniella reclamou das críticas que vem recebendo e afirmou que suas declarações estariam sendo distorcidas.
“Eles fazem vídeo me ridicularizando de que todas as carreiras, os servidores serão substituídos por inteligência artificial”, afirmou.
A explicação, entretanto, não esclareceu quais categorias poderiam deixar de ter vagas preenchidas por novos concursos públicos. Daniella também não apresentou critérios para determinar quais atividades seriam transferidas para sistemas de inteligência artificial.
A economista voltou a relacionar o tamanho da máquina pública aos custos do Estado e à remuneração dos funcionários.
“Quando é um inchaço, uma ineficiência, uma coisa perdulária, fica todo mundo ganhando mal”, afirmou.
Segundo ela, uma administração mais eficiente permitiria melhorar os salários de determinadas carreiras. Daniella também argumentou que o excesso de gastos públicos pressiona os impostos pagos pela população.
“O imposto cada vez mais alto, vai subindo imposto para pagar a conta”, declarou.
Proposta pode reduzir concursos e afetar serviços públicos
A ideia apresentada pela coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro não se limita ao uso da inteligência artificial para agilizar procedimentos administrativos. Ao defender a substituição de servidores aposentados por tecnologia, Daniella coloca em discussão a manutenção de determinados cargos públicos.
A diferença é significativa. A inteligência artificial pode auxiliar profissionais, automatizar tarefas repetitivas e acelerar atendimentos. Já deixar de repor servidores aposentados significa reduzir o quadro de funcionários, caso as vagas sejam extintas ou permaneçam desocupadas.
A medida poderia afetar diretamente as oportunidades de ingresso no serviço público e a capacidade de atendimento dos órgãos, dependendo das funções atingidas.
Também permanecem dúvidas sobre quem seria responsável por supervisionar decisões automatizadas, corrigir eventuais erros e atender cidadãos em situações que exigem análise individualizada.
A Constituição estabelece o concurso público como regra para o ingresso em cargos efetivos, mas não determina a reposição automática de todas as vagas abertas por aposentadoria.
Apesar de defender a preservação de algumas carreiras na entrevista desta segunda-feira, Daniella não abandonou expressamente a proposta de substituir parte do funcionalismo por inteligência artificial.
A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não detalhou se pretende incorporar a medida a um eventual programa de governo, quais concursos seriam afetados ou quantos cargos públicos poderiam deixar de existir.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), centralizou a distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais destinados aos senadores eleitos, em meio às articulações para permanecer no comando da Casa. A informação foi publicada nesta terça-feira pelo jornal O Antagonista.
Segundo a reportagem, parlamentares eleitos afirmam que as decisões sobre os espaços passaram a depender diretamente de Alcolumbre. Um deles relatou que a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, telefonou para orientá-lo a procurar o presidente da Casa para tratar da escolha do gabinete.
O senador, que não pretende apoiar Alcolumbre na eleição interna, recusou o contato e afirmou enfrentar dificuldades para resolver a questão. “Ele vai prestigiar aqueles que se comprometeram a votar nele”, declarou ao jornal.
Outro senador eleito também se recusou a procurar Alcolumbre. “Todo senador tem um gabinete e todo senador vai ter um gabinete lá, então não vou falar com ele nem conversar com ele a respeito disso”, afirmou.
O parlamentar levantou a possibilidade de a distribuição dos espaços ser utilizada para negociar apoio político, mas não relatou ter recebido qualquer oferta direta de gabinete ou apartamento em troca de voto.
Alcolumbre articula sua permanência na Presidência do Senado para o próximo biênio. A eleição interna está marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura.
O ex-ditador cubano Raúl Castro, de 95 anos, é alvo de um mandado de prisão emitido pela Justiça dos Estados Unidos. O procurador-geral do estado, James Uthmeier, anunciou acusações de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau.
O caso está relacionado à derrubada de duas aeronaves da organização Irmãos ao Resgate, em 24 de fevereiro de 1996, em águas internacionais. O ataque matou três cidadãos americanos e um residente nos Estados Unidos.
Segundo a denúncia, agentes da inteligência cubana infiltrados na organização repassaram informações sobre os voos ao governo de Cuba. Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa e primeiro vice-presidente do país, e teria desempenhado papel decisivo na autorização do ataque.
Uthmeier afirmou que as provas indicam a existência de uma conspiração e declarou que o mandado pode restringir a mobilidade do ex-líder cubano, inclusive em viagens ao exterior para tratamentos médicos.
Na época, o governo cubano acusou a organização de realizar operações secretas contra o regime. Os Estados Unidos afirmaram que as aeronaves estavam desarmadas e que os voluntários não representavam ameaça.
Daniel Vorcaro, dono do Master, e Ana Matos, responsável pelo marketing do banco, exigiram da cúpula da CNN Brasil que combinasse perguntas de uma entrevista que beneficiasse o Master em abril de 2025. Nas trocas de mensagens, obtidas pelo ICL Notícias, os dois relatam também que o Banco Master pagava R$ 10 milhões por ano à CNN Brasil em publicidade. Ambos comentam sobre os constantes pedidos de dinheiro do Master feitos pelos executivos do canal. “A CNN me parece outro saco sem fundo de querer grana. Kk”, afirmou Matos.
As conversas entre a executiva de marketing do Master e Vorcaro mostram também que houve um pedido de R$ 4 milhões, a título de patrocínio para o evento “CNN Talks”, e que o banqueiro fez aportes para ser sócio do canal CNN Money. Procurada, a CNN disse que Daniel Vorcaro “nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora tem um único controlador, Rubens Menin. O Banco Master foi anunciante da CNN Brasil, com entregas de mídia convencionais nos intervalos comerciais e nas plataformas digitais. Os valores dos contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade, política aplicada a todos os anunciantes”. A emissora ainda afirmou que “reitera seu compromisso com a independência editorial, a transparência e os princípios éticos que orientam sua atuação jornalística, mantendo a clara separação entre suas áreas comercial e editorial”.
Em uma das mensagens, a responsável pelo marketing do Banco Master relata, em outubro de 2024, que o Master já tinha feito o “primeiro aporte como acionista”.
“Tudo combinado. 100%”
Em 3 de abril de 2025, seis dias depois do anúncio da compra de 58% do Master pelo BRB, o banco público do Distrito Federal, Vorcaro conversa com Ana Matos sobre reportagens e postagens que falavam de modo negativo sobre o negócio. A operação era criticada por concorrentes e analistas, e o banco tinha acabado de divulgar seu balanço.
No início da manhã daquele dia, às 7h26, Vorcaro escreveu à executiva: “Ana, falei c joao, acho que tenho que ir cnn falar do balanco e operacao”. Seria uma menção a João Camargo era, à época presidente do conselho da CNN Brasil. Ana respondeu que Camargo também tinha ligado para ela e informado que a entrevista poderia ocorrer às 18h. Vorcaro questionou: “O que acha”. [A reportagem manteve a grafia das mensagens].
Ana Matos defendeu que ele deveria ir. “Eu respondi que ele tem que combinar com a gente antes as perguntas do Naka. Todas. Antes”, escreveu. “A gente dizer o que queremos falar. Tudo combinado. 100%. Eu vou com vc.” Naka é uma menção ao jornalista Fernando Nakagawa que chefiava a editoria de Economia da CNN Brasil e comentava todos os programas da casa, naquela época. Logo depois, Ana Matos ponderou: “Ainda assim temos que pensar que o João eh amigo de todo mundo. Sempre tem 2 agendas.”
João Camargo, então presidente executivo do Conselho da CNN Brasil, deixaria o canal em agosto de 2025, depois de romper com Rubens Menin, sócio-controlador.
Nos diálogos, nota-se que Vorcaro temia ficar exposto e, por isso, decide que quem iria em seu lugar era Paulo Gala, economista-chefe do banco. “O paulo falaria sobre balanço? Gala. Treinamos ele”, escreveu Vorcaro. Ana confirmou que Gala estaria preparado e disse ter feito “um vídeo básico com ele treinando”, um media training sem as “cascas de banana”. Às 11h55, Vorcaro decidiu: “Vou deixar o paulo entrar. Mesmo. Ta muita batida em mim. Vamos deixar poeira abaixar na semana que vem eu entro”. Passado algum tempo, Ana Matos confirma para Vorcaro às 13h04: “Paulo Gala hoje cnn”.
A entrevista de Fernando Nakagawa com Paulo Gala foi feita ao vivo no CNN Money às 18h e, depois, o site da CNN publicou a matéria “Venda para BRB beneficia ambas as partes, diz economista-chefe do Master”, com falas de Gala. “Para o BRB me parece que faz bastante sentido, porque é um banco que tem acesso a fundo mais barato”, disse ele. Gala também defendeu o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como “o grande instrumento de fomento de crédito no Brasil”. No restante das mensagens entre Ana Matos e Vorcaro não está registrada as perguntas que seriam combinadas. O ICL Notícias procurou João Camargo, mas ele não respondeu.
Procurado Fernando Nakagawa informou que conduziu “a entrevista normalmente sobre o factual, que era o resultado do Master e a intenção de compra do BRB. Não lembro de nenhuma interferência na pauta, como a imposição de perguntas. Tanto que abordo temas não confortáveis ao Master, como a sustentabilidade da oferta de CDBs com 140% do CDI, se o banco estava dando lucro por que era tão importante procurar um sócio e sobre as críticas do uso do FGC e se o Master topava mudar a maneira de usar o FGC”. Nakagawa disse que “desconhecia temas relacionados à área comercial ou assuntos societários relacionados à empresa”.
O Banco Central (BC) rejeitou em setembro de 2025 a compra do Banco Master pelo BRB. e, em novembro daquele ano, decretou a liquidação extrajudicial do Master.
Na véspera da entrevista, em 31 de março, Ana tinha escrito a Vorcaro: “Levantei todos os pontos positivos do balanço para o João Camargo, para veicular amanhã na CNN money”. Alguns dias depois, Gala voltou à CNN. Em 14 de abril de 2025, Ana Matos escreveu a Vorcaro que tinha conseguido a entrada do economista na pauta: “Eu pedi essa entrada hoje na pauta. Paulo seguiu meu briefing. Defendeu CDB via segurança do FGC, e abordou concentração que eh nossa pauta contínua” (sic).
O ICL Notícias apurou que, em alguns casos, Daniel costumava escrever as mensagens em outro chat e encaminhar como forma de proteger a comunicação
“To entrando na CNN com o Rubens Menin”
Em 18 de setembro de 2024, Ana Matos e Vorcaro discutem o lançamento do CNN Money. Ana encaminha o release e Vorcaro responde: “Ana, na verdade guarda isso com voce mas to entrando na cnn com o rubens menin.” (sic) Rubens Menin é o controlador da CNN Brasil.
O banqueiro ainda completa: “Mas cnn precisa aprovar. E eu entrar no conselho”. Sobre o novo canal, disse: “Pq esse canal sera conteudo escolhido por nos. Vc participando do editorial. Do conselho editorial de tudo.”
Em 26 de setembro de 2024, Ana escreve a Vorcaro que está na CNN e fala da proposta para o lançamento do CNN Money, o novo canal de economia da emissora. O Master poderia entrar como “sócio fundador”, com a marca “cobranded com CNN” em mídia, eventos e outdoors. “Para isso eles pedem 12mm por 12 meses”, escreveu ela.
Ela, porém, sugere outra negociação: “Nós já temos 10mm com eles/ano em CNN News. Eu renovo com eles esse valor pra CNN Money. Faria essa cota fundador Money exclusiva banco master.” E acrescentou: “Faria uma black list de quem não pode patrocinar. Colocaria alguém – pode ser eu – para entender conteúdo editorial do canal pra ver nossos interesses.” Vorcaro respondeu: “Concordo com tudo”.
Em 16 de outubro, escreveu que o vice-presidente da CNN, Cris Moreira, dizia que o banco já tinha feito “um primeiro aporte como acionistas”. No entanto, no dia anterior, 15 de outubro, Vorcaro avisou que estava repensando o negócio. “Cnn deu um ruido grande. Nao gostei postura joao. Estou avaliando o que fazer.” O banqueiro, porém, não deixa claro o motivo e o restante das mensagens não confirma como a negociação foi finalizada.
O canal foi lançado em 4 de novembro de 2024, na Casa Fasano, em São Paulo. A participação do Banco Master de Daniel Vorcaro como um dos seis cotistas-fundadores do CNN Money foi revelada pela revista Fórum, na manhã deste domingo (18). Os outros cinco eram Itaú Personnalité, Banco Inter, Qualcomm, Claro e Ambipar., esta última também investigada pela Polícia Federal por suspeita de participação nas fraudes financeiras do Banco Master.
Master pagou R$ 1 milhão pelo CNN Talks
As conversas entre Ana Matos e Daniel Vorcaro mostram que o Master patrocinou um evento da CNN Brasil.
No dia 19 de agosto de 2024, Ana Matos envia mensagem para Vorcaro sobre patrocínio e possível participação no CNN Talks, braço de eventos da emissora. O evento que aconteceria dali a dez dias reuniu “autoridades e empresários para falar sobre os desafios e as oportunidades para o crescimento da Indústria no país na visão do setor privado.”
O pedido de dinheiro foi feito por João Camargo, então presidente executivo do Conselho da CNN Brasil. O valor do patrocínio assustou a executiva de marketing e o banqueiro: R$ 4 milhões de reais.
“Eles me mandaram 4mm de patrocínio. Com a mensagem: Ana, consegue chegar em 4K? Achei muito. Ele me disse que tem o canal CNN Money vindo. Esse valor já não poderia estar dentro desse fee de patrocínio, que será $$$?”, afirmou Ana.
“Que isso”, respondeu Vorcaro.
“Muita grana”, disse Ana.
“Negocia aí”, pediu o banqueiro.
Logo depois, Ana Matos avisava que tinha fechado o patrocínio por um valor menor, R$ 1 milhão.
“Oi. Fechei 1mm com a CNN. Não sei se eles vão ligar pra vc, mas tá fechado com o VP do João. Foi tudo bem”.
A participação de Daniel Vorcaro foi posteriormente cancelada depois que o banqueiro descobriu que o presidente do Bradesco, Marcelo de Araújo Noronha, não participaria da mesa junto com ele.
Os constantes pedidos de dinheiro feito por executivos da CNN Brasil eram temas de comentários frequentes nos diálogos entre a superintendente de marketing do Master e seu chefe. No dia 29 de setembro de 2024, ela afirmou que a CNN “me parece outro saco sem fundo de querer grana. Kk”
Dois dias depois, dia 1º de outubro de 2024, Ana escreveu a Vorcaro: “Oi. Eu vou estar num eve to agora q estará Joao e Cris Moreira do comercial CNN. Eles falaram sabre mais grana com vc esses dias? Porque eu disse que nao haveria dinheiro novo como patrocinadores. Que eu redirecionaria o valor que já temos mês com eles” [a reportagem mantever a redação das mensagens da maneira que elas foram escritas].
“Não to sabendo”, respondeu Vorcaro.
“Tabom. Só pra estarmos alinhados porque eu não disse que nosso investimento permaneceria o que já temos. 10mm ano. Ao invés de CNN News vou direcionar pra Money”, explicou Ana Matos, citando o valor de R$ 10 milhões que o Master aplicou para se tornar cotista-fundador do canal CNN Money.
Ana Matos deixou o Master em dezembro de 2025. Daniel Vorcaro está preso desde o último mês de março, em Brasília. Ele já tentou por três vezes, sem sucesso, selar um acordo de delação premiada com as autoridades.
Nota da CNN Brasil
A CNN Brasil esclarece que Daniel Vorcaro nunca foi sócio da CNN Brasil ou do CNN Money. A emissora tem um único controlador, Rubens Menin. O Banco Master foi anunciante da CNN Brasil, com entregas de mídia convencionais nos intervalos comerciais e nas plataformas digitais. Os valores dos contratos comerciais são protegidos por cláusulas de confidencialidade, política aplicada a todos os anunciantes.
Vorcaro nunca concedeu entrevista à CNN Brasil ou ao CNN Money fora do CNN Talks – produto comercial, organizado desde sua criação pelo departamento comercial da emissora. Seus painéis são construídos em conjunto com as marcas parceiras e identificados ao público como conteúdo patrocinado. A redação não participa da concepção desses eventos e realiza apenas a cobertura jornalística. Os executivos que estavam à frente da CNN Brasil e de sua área comercial durante o período em que o Banco Master foi anunciante deixaram a empresa em agosto de 2025, meses antes da prisão de Daniel Vorcaro e da liquidação do banco.
A atual gestão mantém e fortalece a separação entre as áreas comercial e editorial, portanto, anunciantes não interferem nas decisões editoriais da CNN Brasil. Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a emissora vem realizando cobertura jornalística contínua sobre o caso e seus desdobramentos.
A CNN Brasil reitera seu compromisso com a independência editorial, a transparência e os princípios éticos que orientam sua atuação jornalística, mantendo a clara separação entre suas áreas comercial e editorial.
Em tentativa de delação premiada, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, seria o destinatário final de parte das comissões pagas pelo Banco Master por captações de recursos de fundos previdenciários municipais e estaduais.
Segundo o relato, Kassab teria se comprometido a incentivar administrações ligadas ao PSD a investir nos produtos financeiros do banco em troca de comissões. Vorcaro afirmou que os pagamentos eram feitos em espécie a consultores e agentes públicos. Kassab negou as acusações, classificando o relato como “absolutamente fantasioso”.
De acordo com dados citados na reportagem do Metrópoles, regimes próprios de previdência de 21 estados e municípios investiram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024. O maior aporte foi do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões.
As letras financeiras não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que expõe os investidores a riscos em caso de liquidação da instituição financeira.
Publicações antigas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atacando o Bolsa Família e outros programas sociais tiveram sua exclusão denunciada nesta segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno presidencial. Nas mensagens, o candidato associa a transferência de renda à compra de votos, acusa o PT de manter famílias na pobreza para garantir apoio eleitoral e defende limitar a dois anos o recebimento de um benefício estadual. A denúncia surgiu no mesmo dia em que Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha, chamou a dependência de programas sociais de “prisão assistencialista”.
Uma das publicações mais contundentes é de 5 de abril de 2010, quando Flávio associou o Bolsa Família à compra de votos:
“Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente.”
Em 24 de junho de 2013, o então deputado estadual voltou a atacar os programas sociais, acusando o PT de perpetuar a pobreza por meio do que chamou de “bolsa-farelo”. Na mensagem, sustentou que a manutenção da dependência econômica das famílias serviria para preservar o apoio eleitoral ao partido.
Em 25 de agosto de 2011, Flávio também criticou um reajuste de benefício social, classificando a medida como uma forma de financiamento público da campanha do PT.
As publicações mostram que suas críticas não se limitavam à gestão dos programas. O parlamentar associava a transferência de renda à dependência política e atribuía motivações eleitorais à assistência prestada às famílias mais pobres.
As capturas de tela dessas mensagens voltaram a circular nesta segunda-feira. Embora existam registros anteriores de parte das publicações, ainda não foi possível confirmar de forma independente quando teriam sido excluídas do X, antigo Twitter.
Flávio tentou limitar benefício social a dois anos
As críticas também se traduziram em atuação parlamentar. Em 23 de novembro de 2011, Flávio Bolsonaro foi o único deputado estadual a votar contra o programa Renda Melhor, aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por 54 votos a um.
Na ocasião, publicou uma mensagem chamando a iniciativa de “bolsa-farelo estadual”.
O programa complementava a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza no Rio de Janeiro.
No dia seguinte, 24 de novembro de 2011, Flávio afirmou nas redes sociais que havia apresentado emendas ao projeto para restringir o período de recebimento: “Fiz emendas ao projeto […] para limitar em 2 anos.”
Em outra publicação da mesma data, argumentou que a ausência de um prazo máximo para recebimento poderia estimular a dependência dos beneficiários em relação ao Estado.
A proposta defendida pelo então deputado pretendia estabelecer um limite temporal para um programa de transferência de renda, independentemente da discussão atual sobre as regras do Bolsa Família.
Daniella Marques chama assistência social de “prisão assistencialista”
Nesta segunda-feira (19), Daniella Marques retomou a discussão sobre dependência de programas sociais durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.
Ao defender a criação de um Ministério da Prosperidade, a coordenadora econômica da campanha de Flávio afirmou que a proposta seria:
“Libertar o Brasil dessa prisão assistencialista.”
Daniella também afirmou que programas sociais podem estabelecer uma relação “tóxica e abusiva” quando utilizados politicamente para provocar medo entre os beneficiários.
No mesmo dia, apresentou uma proposta de transição de dois anos para famílias do Bolsa Família que consigam emprego formal ou decidam abrir um negócio.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família, aquilo é uma proteção mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade”, afirmou.
Segundo Daniella, a proposta permitiria que beneficiários buscassem autonomia financeira durante o período de transição. Caso perdessem a renda ou não conseguissem se manter, teriam direito ao retorno automático ao programa.
A coordenadora afirmou que não pretende promover cortes nos programas sociais e defendeu medidas de qualificação profissional, acesso ao crédito e estímulo ao empreendedorismo.
A proposta atual não é idêntica à defendida por Flávio em 2011. Naquele momento, ele pretendia limitar a duração de um programa estadual. Atualmente, Daniella fala em uma regra de transição para pessoas que ingressem no mercado de trabalho ou abram negócios, com possibilidade de retorno ao Bolsa Família.
Ainda assim, ambas as posições utilizam o período de dois anos como referência para discutir a permanência de famílias em programas de transferência de renda.
A campanha do presidente Lula (PT) decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL), sob a alegação de que a Meta teria favorecido o senador por meio de seus algoritmos e prejudicado a divulgação de conteúdos petistas.
Segundo a Folha, a ação aponta supostas falhas na distribuição de anúncios, recomendações de perfis e canais ligados a Flávio e diferenças de alcance entre as contas dos dois candidatos. A campanha alega abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
O caso ocorre após decisões liminares do ministro Marco Bellizze determinarem que a Meta assegure tratamento isonômico aos candidatos e corrija problemas nas contas de anúncios de Lula. A campanha petista também pede acesso a informações sobre o funcionamento dos algoritmos e a mensagens internas da empresa.
A Meta nega favorecer candidatos ou interferir no processo eleitoral.