A classificação segue a Escala Fujita, que vai até cinco. De acordo com o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km/h, não tocando o tempo todo no chão.
O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Fernando Mendonça, afirma que o Sul o Brasil fica geograficamente localizado em uma área considerada o segundo maior corredor do mundo para a ocorrência de ventos extremos, como ciclones, furacões e tornados. O primeiro fica na região central dos Estados Unidos.
“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explica Mendonça que é geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As regiões apontadas são mais planas e extensas. Por isso, mais propícias a esses fenômenos. São locais planos, em que o vento consegue atingir maior velocidade, resultando em movimentos turbilhonado e espiralado, que causam ciclones e furacões.
“Já, os tornados são muito menores e atuam em pequenas localidades, como este que ocorreu em São José dos Pinhais. O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais,” afirma Mendonça.
O ano de 2025, de acordo com o consultor, registrou o maior aumento da temperatura da água dos oceanos. Ele ressalta que as águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul não resfriaram na passagem do ano de 2025 para 2026. “A gente está num momento ainda de dias muito quentes e a água marinha ainda está muito aquecida. O que faz com que aumente a disponibilidade de energia na atmosfera e os ventos circulem cada vez mais velozes, formando ciclones e tornados”, explica.
Mendonça ressalta que, particularmente em São José dos Pinhais, houve uma reação térmica, entre o choque de ar frio e quente. Nos dias anteriores, houve uma queda expressiva de temperatura, na quarta, quinta e na sexta. Os dias amanheceram com temperaturas mais baixas que as comuns para a estação do ano, o verão.
Esse resfriamento foi resultado da entrada de uma massa de ar frio, que criou uma bolha de ar, circundada por uma grande massa de ar quente, comum a essa época do ano, provocando o choque térmico. “Esse choque térmico entre ar quente e ar frio, o aquecimento dos oceanos, registrados nos últimos anos, vem registrando mais ciclones, tempestades e tornados, como esse de ontem.” Mendonça aponta ainda questões regionais, como o desmatamento e a aquecimento do ar por atividades humanas.








