domingo, 13 de setembro de 2026

Inmet alerta para chuvas fortes em Arapongas, Apucarana e região neste domingo (13)


 












Arapongas e Apucarana e outros municípios do Vale do Ivaí estão sob alerta laranja de perigo para chuvas intensas neste domingo (13), de acordo com os avisos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O alerta prevê precipitações severas na região, com acumulados que podem variar entre 30 e 60 milímetros por hora, podendo chegar a 100 milímetros ao longo do dia. O aviso também abrange outras 210 cidades localizadas nas regiões dos Campos Gerais, Curitiba, Litoral, Norte Pioneiro e Noroeste.

Em paralelo, o Inmet emitiu um segundo alerta, de nível amarelo, que indica perigo potencial para chuvas fortes na maior parte do Paraná. Esse aviso, que exclui apenas as cidades que fazem divisa com Santa Catarina, adverte para a possibilidade de chuvas de até 50 milímetros por dia, ventos de até 60 km/h e eventual queda de granizo. A instabilidade ocorre devido a uma forte presença de umidade associada à circulação dos ventos no estado.

Já o Climatempo reforça a previsão de um domingo chuvoso, com os maiores volumes de água concentrados exatamente nos setores Norte, Nordeste e Campos Gerais. A meteorologia aponta ainda que as temperaturas devem permanecer baixas logo no amanhecer, especialmente na faixa leste, e não devem se elevar muito à tarde.

O cenário meteorológico começa a apresentar mudanças a partir de segunda-feira (14), quando a instabilidade perde força no Paraná. A chuva ainda deve ocorrer em algumas áreas, mas com volumes significativamente menores em comparação ao fim de semana, concentrando-se no leste, principalmente na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral. O centro-sul continuará com temperaturas baixas devido a uma massa de ar mais frio.

Na terça-feira (15), o avanço de um sistema de alta pressão associado a uma massa de ar polar consolida a mudança no tempo, trazendo estabilidade para a maior parte do Paraná. O predomínio será de tempo firme e sem chuvas, com exceção do Litoral, onde ventos marítimos podem trazer nebulosidade e precipitações isoladas de fraca a moderada intensidade. O dia deverá começar com frio intenso nas áreas do sudoeste, centro-sul e nas regiões mais elevadas do estado.

Chuvas elevam nível do Rio Ivaí

 


As constantes chuvas que ocorrem desde a madrugada dessa quinta-feira, de setembro, já começaram a elevar o nível de vários rios e afluentes na região. Já foram registradas inundações e elevação de nível de rios na região de São João do Ivaí, prejudicando o acesso aos distritos de Ubaúna e Santa Luzia do Alvorada e também ao município de Godoy Moreira.

O Rio Ivaí, principal afluente da região, também já começou a elevar o nível. Às 15h00 dessa quinta-feira, ele já estava com 2,90 metros acima do nível normal e acende sinal de alerta para as populações que moram às margens do Rio. A expectativa é que se as chuvas continuarem, como anunciam as previsões, em poucas horas, o rio pode chegar a 5 metros até o fim de semana e começar a invadir propriedades lindeiras.

O Simepar prevê a continuidade das chuvas em Ivaiporã e região pelo menos até o domingo, 13 de setembro. Já o site da Metsul, empresa especializada em previsão do tempo para o sul do Brasil, aponta que na sexta-feira, 11 de setembro, Ivaiporã deve ter uma precipatação pluviométrica de 44,8 milímetros. Para se ter uma ideia, isso representa 1/3 da média prevista para o mês na região, que gira entre 125 a 150 milímetros.

Após reportagem do ICL, Lindbergh pede que PGR investigue relação de Flávio Bolsonaro com Careca do INSS

 


O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma notícia de fato pedindo a abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a partir de informações reveladas pelo ICL Notícias, sobre conexões empresariais entre uma empresa do parlamentar e a rede ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

A representação, apresentada pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de inquérito para apurar a existência de vínculos patrimoniais, contábeis e empresariais entre a Bravo Grafeno, da qual Flávio é sócio, e pessoas e empresas relacionadas ao Careca do INSS. Lindbergh também solicita quebra de sigilos bancário e fiscal, relatórios do Coaf, perícia contábil e buscas e apreensões.

Ao ICL Notícias, Lindbergh classificou as descobertas como “devastadoras” e afirmou que Flávio deveria desistir da candidatura à Presidência da República.

“É uma revelação devastadora. Liga diretamente Flávio Bolsonaro ao Careca do INSS. É gravíssimo, gravíssimo. Eu só vejo um caminho: a desistência da candidatura do Flávio Bolsonaro depois dessas revelações”, afirmou.

O deputado também relacionou o novo episódio às investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.

“Além da ligação com Vorcaro, está comprovada a ligação direta com o Careca do INSS pela sala, pelo contador Alexandre Caetano dos Reis, que está preso, que era o contador do Careca e o contador do Flávio Bolsonaro”, disse Lindbergh.

A afirmação de que existe uma ligação comprovada é uma avaliação do deputado. A notícia de fato pede justamente que a PGR investigue a natureza e a extensão dos vínculos identificados e se houve trânsito de recursos entre as estruturas empresariais.

A iniciativa foi motivada pela reportagem publicada pelo Núcleo Investigativo do ICL Notícias na sexta-feira (11), que revelou que a Bravo Grafeno declarou como endereço a sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. No mesmo local estão registradas, segundo dados públicos da Receita Federal, ao menos 16 empresas vinculadas ao Careca do INSS.

Entre elas está a Prospect Consultoria Empresarial. Segundo o relatório final da CPMI do INSS citado na representação, a empresa recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas pela cobrança de descontos associativos sobre benefícios previdenciários. Desse total, R$ 115,9 milhões vieram da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.

A coincidência de endereço não é o único elemento levado à PGR. A apuração do ICL também identificou uma conexão por meio da contabilidade da empresa de Flávio.

Em diligência no Connect Towers, a reportagem foi informada de que a sala 2601 era ocupada pela Voga Serviços Contábeis. Funcionários do prédio confirmaram a presença da empresa no local. O advogado Thalles Setúbal, que recebeu a reportagem, confirmou que a Voga presta serviços à Bravo Grafeno, embora tenha negado que a sala 2601 pertença à contabilidade e afirmado que o espaço seria de trabalho compartilhado.

A Voga pertence a Alexandre Caetano dos Reis, preso desde dezembro de 2025 e que foi sócio do Careca do INSS em uma offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas. De acordo com a representação, Alexandre também atuou como contador de diferentes empresas ligadas ao núcleo investigado pela Polícia Federal.

A conexão vai além da Bravo Grafeno: a Voga também é responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Na notícia de fato, Lindbergh sustenta que essas descobertas acrescentam dois elementos novos a uma comunicação anterior feita por ele à Polícia Federal: o compartilhamento do endereço da Bravo Grafeno com 16 sociedades ligadas ao núcleo investigado e a contratação, pela empresa de Flávio, da contabilidade pertencente a um ex-sócio do Careca do INSS.


CRISE NO STF: Ministros ameaçam expor “podres” de toda a Corte se julgamento mirar apenas Alexandre de Moraes

 


Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) elevaram o tom e afirmaram que, caso um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes seja julgado na sessão do dia 15 sem que o mesmo ocorra em relação a André Mendonça, o debate deixará “pedra sobre pedra”. Os magistrados argumentam que vários membros da Corte já foram alvos de denúncias, inclusive de ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e sustentam que, se a intenção for passar o STF a limpo, será o momento oportuno para discutir os “podres” de todos os presentes na sessão.

Como exemplos, os ministros citaram denúncias recentes de envolvimento financeiro de Dias Toffoli com Vorcaro, além de revelações de que Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos e filho do ministro Kassio Nunes Marques, recebeu recursos de uma consultoria tributária financiada pelo Banco Master e pela JBS. Segundo a Folha de São Paulo, a Consult Inteligência Tributária faturou R$ 18 milhões dessas duas empresas e repassou R$ 281,6 mil ao escritório do filho do ministro no período.

De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha, o próprio André Mendonça será cobrado na sessão para explicar detalhadamente uma reunião que teve com Daniel Vorcaro em março do ano passado, a pedido de um advogado. Ele relata ainda que ele também será pressionado a abrir as contas do Iter, instituto educacional fundado por ele após assumir a cadeira no STF, que acumulou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025 (quando contava com apenas um ano de existência) e também atende empresas privadas.

Outro ponto levantado envolve a proximidade social entre Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, e o ex-banqueiro, com quem esteve em um camarote no Sambódromo do Rio de Janeiro e em uma degustação de uísque. “Vamos investigar todos de uma vez”, declarou um magistrado.

Para estancar a crise e alcançar um acordo mínimo, ministros avaliam que a única saída é o presidente da Corte, Edson Fachin, pautar simultaneamente a investigação contra Moraes por ligações com Vorcaro e o pedido contra Mendonça por abuso de autoridade. O grupo também defende que Fachin assuma a relatoria das apurações ligadas ao ex-banqueiro, retirando o caso das mãos de Mendonça.

André Mendonça deixou neste mês a sociedade do Iter, que afirma nunca ter distribuído lucro. Sobre o encontro com Vorcaro, ele diz que a iniciativa partiu do ex-banqueiro, que se limitou a ouvi-lo e que votou contra as posições defendidas por ele em demandas no STF. Rodrigo Fux afirma que nunca advogou para Vorcaro.

O ministro Kassio Nunes Marques disse, na época da revelação dos repasses de uma consultoria tributária a seu filho, que não tinha relação alguma com Vorcaro.

Dias Toffoli diz, em nota, que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”, negando revelações feitas nesta sexta (11) pela revista Piauí.

Com informações da Folha de São Paulo


Andrei Rodrigues nega que monitorou Mendonça e diz que relatórios de inteligência usados por Moraes são “lícitos”


 













O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao presidente do STF, Edson Fachin, que os relatórios de inteligência usados pelo ministro Alexandre de Moraes foram produzidos dentro da lei.

Andrei também negou que a PF tenha feito monitoramento ilegal dos ministros André Mendonça (STF) e Jorge Messias (AGU). Ele afirmou que os documentos têm caráter analítico, não servem como prova criminal e não foram usados para restringir direitos.

“Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de Ministro deste STF e tampouco do Advogado-Geral da União”, frisou Andrei Rodrigues.

O diretor-geral também negou que os relatórios de inteligência da PF seriam “apócrifos”, como afirmou Mendonça. De acordo com Andrei, essa qualificação é “equivocada”, porque os documentos “têm autoria institucional”.

A manifestação rebate diretamente Mendonça, que classificou os relatórios como ilegais e chegou a afastar Andrei do comando da PF. A decisão acabou suspensa e o delegado foi reintegrado ao cargo.

Com informações do jornal O Globo

Após matéria do ICL, Erika Hilton pedirá a Mendonça inclusão de Flávio Bolsonaro em inquérito do INSS

 


A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou uma iniciativa no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, nas investigações sobre o esquema de descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS. O pedido será apresentado ao ministro André Mendonça, que conduz procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto.

A medida tem como base uma reportagem do Núcleo Investigativo do ICL Notícias, assinada pela jornalista Alice Maciel. Segundo a publicação, a Bravo Grafeno, empresa do setor de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre seus sócios, possui registro em uma sala de Águas Claras, no Distrito Federal, que também foi utilizada como endereço cadastral por pelo menos 16 empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como personagem central das investigações.

“Frente à revelação de que Flávio Bolsonaro e o ‘Careca do INSS’ usavam o mesmo endereço e o mesmo contador para suas empresas, estou acionando o ministro André Mendonça para que ele inclua Flávio Bolsonaro no Inquérito do INSS”, afirmou Erika Hilton. Em outra publicação, a deputada classificou a coincidência como grave e defendeu uma apuração sobre os vínculos empresariais identificados. “É absurdo que um senador e candidato à presidência da República tenha uma empresa sediada no mesmo lugar onde 16 empresas de alguém indiciado por operar um dos maiores esquemas criminosos da história recente do nosso país”, escreveu.

O endereço citado é a sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers. Entre as empresas que tiveram registro no local está a Prospect Consultoria Empresarial, que, segundo dados do relatório final da CPMI do INSS divulgados pela imprensa, recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Os negócios relacionados a Antunes atuam em diferentes setores, incluindo consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e call center.

Mesmo endereço e contador em Brasília

A reportagem esteve no local nesta sexta-feira (dia 11), por volta das 10h30. Logo na portaria do prédio, uma funcionária informou que a sala 2601 é ocupada pela Voga Serviços Contábeis, empresa que pertence ao sócio do Careca do INSS, Alexandre Caetano dos Reis, que também está preso.

Alexandre Caetano dos Reis é o primeiro elo conhecido entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS. Ele é responsável também pela contabilidade do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.

A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do prédio. A recepção da empresa fica na de número 2603, onde o ICL Notícias foi recebido pelo advogado Thalles Setúbal. Ele confirmou que a Voga presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601, onde estão registradas as empresas do senador e do Careca do INSS, pertencesse à contabilidade, apesar de os funcionários que circulavam pelo corredor, terem confirmado à reportagem que o local também é ocupado pela Voga.

Inclusive, em duas ocasiões, ao bater na 2601 que estava fechada, fui abordada por funcionários que me orientaram que me dirigisse à recepção da Voga, ou seja, a sala vizinha, 2603.

Thalles afirmou que na 2601 funcionava um coworking e pertencia à outra empresa, com donos diferentes da Voga. Questionado sobre a relação da empresa de contabilidade com o senador Flávio Bolsonaro e as investigações da PF, Thalles respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

Fotos: Alice Maciel/ICL Notícias

Capacetes bolsonaristas

A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e conta com capital social de R$ 100 mil. A loja online vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta, por R$ 54.

“Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”, anuncia o ex-presidente em vídeo divulgado no site da empresa. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro lançou o capacete para motos, no dia 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, realizado em São Paulo. O tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, também divulgou a marca durante uma live em 2025.

A escolha de Mendonça como destinatário do pedido está relacionada à atuação do ministro no caso. Em dezembro de 2025, a pedido da Polícia Federal e após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República, ele determinou a prisão preventiva de 16 investigados na PET 15041, além de outras medidas cautelares. Antunes continua preso e é apontado nas investigações como operador financeiro e um dos supostos líderes do esquema.

As fraudes investigadas pela Operação Sem Desconto envolvem cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos realizados entre 2019 e 2024. Erika Hilton afirmou que “foram ao menos 6 bilhões de reais retirados dos pagamentos de aposentados”. Sobre os ressarcimentos, dados oficiais indicam que R$ 3,2 bilhões já haviam sido devolvidos a aproximadamente 4,7 milhões de beneficiários até junho.

O governo também adotou medidas para impedir a continuidade das cobranças. Em janeiro de 2026, Lula sancionou a Lei 15.327, que proibiu descontos de mensalidades associativas nos benefícios do INSS e estabeleceu mecanismos para localizar beneficiários prejudicados e devolver valores cobrados indevidamente, nos casos previstos pela legislação. A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União, tornou público o esquema e levou à investigação de possíveis irregularidades envolvendo milhões de benefícios previdenciários.


PF investiga Flávio Bolsonaro por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema de Vorcaro

 


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Policia Federal em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A apuração mira a participação de Flávio na obtenção e cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens, ligações e registros de encontros que, segundo os investigadores, mostram o senador atuando diretamente nas tratativas para financiar a produção.

O inquérito específico sobre “Dark Horse” corre sob sigilo. Sua existência e parte dos elementos que levaram à abertura da investigação vieram à tona após Mendonça retirar o sigilo de outros procedimentos relacionados ao caso Master.

A PF pediu formalmente a abertura da apuração em 8 de julho. No documento enviado ao STF, os investigadores afirmaram que pretendiam apurar a eventual prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento internacional do filme, com “possível participação” de Flávio.

Paulo Gonet deu aval ao pedido em 21 de julho. O procurador-geral afirmou haver “indícios consistentes” das condutas narradas e considerou necessário aprofundar hipóteses que envolvem potencialmente corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

No dia seguinte, Mendonça autorizou a abertura do inquérito. A investigação foi formalmente aberta pela PF em 23 de julho.

O que a PF investiga

A suspeita de lavagem de dinheiro está relacionada ao possível uso de empresas e de um fundo no exterior para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação ou o destino dos valores usados no financiamento.

A hipótese de evasão de divisas será investigada para saber se houve remessas internacionais com declaração falsa, uso de intermediários, falta de identificação adequada dos beneficiários finais ou finalidade econômica diferente daquela declarada.

No caso da corrupção, a questão central é outra: saber se os aportes foram solicitados, oferecidos, prometidos ou recebidos em razão da função pública exercida por algum dos envolvidos ou como forma de vantagem indevida. A PF também mencionou preliminarmente a possibilidade de organização criminosa e outros delitos que possam surgir durante a investigação.

Os enquadramentos são preliminares. A abertura do inquérito não significa que Flávio tenha cometido esses crimes, mas que a PF recebeu autorização do STF para aprofundar os indícios e verificar se as suspeitas se confirmam.

Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro

A representação da PF dedica um capítulo inteiro aos “indícios de participação” de Flávio na viabilização e cobrança dos aportes para “Dark Horse”.

Os investigadores afirmam que dados extraídos do celular de Vorcaro mostram o senador participando de tratativas relacionadas ao financiamento.

Os contatos remontam a dezembro de 2024. Naquele mês, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro. Mário Frias (PL-SP) também participaria da reunião por ser apontado como idealizador do projeto.

Em janeiro de 2025, aparecem cobranças pelo primeiro aporte. A partir de agosto, segundo a PF, a comunicação passa a ocorrer diretamente entre Flávio e Vorcaro.

Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.

Ligação coincide com remessa para fundo nos EUA

Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos do filme. O senador demonstrou preocupação com o risco de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.

Uma semana depois, Thiago Miranda informou ao banqueiro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado.

No dia seguinte, 16 de setembro, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro. A PF destaca que o contato coincidiu com a última remessa identificada da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos utilizado no financiamento de “Dark Horse”.

A coincidência temporal é apontada pelos investigadores como elemento relevante, mas não demonstra, isoladamente, que a conversa tenha provocado a transferência.

A PF identificou US$ 12,33 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate ao longo de 2025. Já o acordo de financiamento localizado nas comunicações de Vorcaro previa um investimento total de US$ 24 milhões. Os valores das parcelas estabelecidas no documento eram semelhantes aos encontrados nas remessas internacionais.


Governo Lula propõe tesourada de quase R$ 1 bilhão no Luz para Todos


 













O governo federal propôs reduzir em R$ 967 milhões o orçamento do programa Luz para Todos em 2027. A previsão é destinar R$ 1,61 bilhão à iniciativa, que leva energia elétrica principalmente a comunidades rurais, indígenas e áreas isoladas.

Os recursos serão divididos entre 15 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e Tocantins).

A proposta foi colocada em consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia e ainda poderá sofrer alterações antes de entrar em vigor. O programa é financiado pela Conta de Desenvolvimento Energético, fundo bancado por encargos cobrados nas contas de luz.

Moraes diz que Mendonça direciona derrubada de sigilos para proteger ‘grupo político’

 


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que André Mendonça realiza levantamento seletivo das informações do caso Master.

“O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados”, afirmou Moraes.
Mais cedo, Moraes havia pedido a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos.

Depois do ofício de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao presidente do STF a retirada de sigilo de todos os documentos da investigação.

O ministro Edson Fachin acolheu o pedido da PGR e deu 24 horas para que o relator do caso liberasse as informações.

Em resposta ao presidente do STF, Mendonça negou ter feito a retirada seletiva do sigilo do caso Master.

Mendonça afirmou ainda que atendeu a pedido da Presidência da Corte, tornando públicos todos os procedimentos relacionados ao tema que será julgado na próxima terça-feira (15).

Com informações de g1