A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma lesão rara no nervo óptico que pode provocar perda permanente da visão, em pacientes que usavam medicamentos indicados para diabetes e obesidade.
Segundo levantamento do g1, os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. São 12 notificações relacionadas à semaglutida e uma à tirzepatida. A Anvisa ressalta que os casos ainda são considerados suspeitos e que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não comprova relação de causa e efeito.
A Noia ocorre quando pequenos vasos que irrigam o nervo óptico ficam obstruídos. A visão de um dos olhos pode piorar repentinamente e, em muitos casos, não há recuperação completa.
Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology, com mais de 1,6 mil prontuários, observou risco de quatro a sete vezes maior da doença entre pacientes que receberam semaglutida em comparação com usuários de outras medicações. Os próprios pesquisadores, porém, afirmaram que os dados não permitem estabelecer relação de causa e efeito, inclusive porque parte dos pacientes apresentava doenças como diabetes.
Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a Noia consta nas bulas dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara.
Além das 13 suspeitas, o painel da Anvisa reúne 74 registros de outras complicações visuais entre usuários dessas canetas. A queixa mais frequente é visão turva, com 37 registros, seguida de comprometimento visual, com 29.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que os dados disponíveis até agora não justificam a suspensão do tratamento de pacientes com indicação médica. Sociedades médicas recomendam, no entanto, que pessoas que já tiveram a doença ou apresentem perda súbita ou recente da visão suspendam o medicamento.