segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Geral Senador americano divulga informações sobre possível origem da Covid-19


 











O senador republicano Rand Paul divulgou milhares de páginas do diário pessoal do médico Anthony Fauci, que atuou como um dos principais conselheiros do presidente Donald Trump e do ex-presidente Joe Biden na resposta à Covid-19. As revelações detalham a disputa política no período da pandemia, entre 2019 a 2022, e as possíveis origens da doença.

A divulgação ocorreu antes do cientista participar de uma audiência no Senado sobre suas ações durante esse perído. Informações divulgadas pela emissora CNN apontam que Fauci invocou seu direito à Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação.

O senador republicano Rand Paul, que atua como presidente do Comitê de Segurança Interna do Senado, intimou o ex-conselheiro de saúde a comparecer na audiência como parte da investigação do painel sobre as origens do vírus que provocou a pandemia.

O congressista defende a teoria de que a doença surgiu de um vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, em vez de ter sido transmitido naturalmente de animais para humanos. Ao lado de aliados, ele acusa Fauci e outros funcionários do governo democrata de enganarem o público e o Congresso sobre a origem do surto ao não darem espaço para a hipótese.

Relação tensa com Trump e obsessão com a imprensa

Entre os trechos do diário extraídos estão críticas ao presidente Donald Trump. A pandemia teve início ainda durante seu primeiro mandato, o que permitiu a Fauci trabalhar ao lado de Trump durante o primeiro ano do surto.

O cientista do Instituto Nacional de Saúde reclamou em particular das “conversas desconexas” que teve com o líder republicano, além de ter ficado com uma certa obsessão pela cobertura midiática sobre seu papel nesse período.

No primeiro contato que tiveram, na Sala de Situação, em 29 de janeiro de 2020, o cientista relata que o presidente Trump o tratou respeitosamente, com elogios.

Ele escreveu: “O Presidente entrou e a primeira coisa que disse ao me olhar foi: ‘Anthony, você é realmente uma pessoa famosa. Meu bom amigo Lou Dobbs… me disse que você é uma das pessoas mais inteligentes, experientes e excepcionais que ele conhece.’ Ele então ficou por 20 minutos e me fez a maioria das perguntas. Fiquei surpreso e muito satisfeito, e os assessores ficaram claramente impressionados e admirados.”

Em fevereiro, no entanto, a situação começou a mudar. Ele escreveu que Trump o havia telefonado para falar sobre a situação da covid, e Fauci disse que o “encorajou a não minimizar a gravidade da situação, pois, se piorasse, pareceria que ele estava acobertando algo. … Achei que ele tivesse entendido o que eu disse, mas, no dia seguinte, ele minimizou a situação novamente.”

Em dois escritos posteriores, Fauci escreveu sobre estar cada vez mais cansado dos “discursos desconexos” de Trump. Além de alternar entre elogios e críticas ao presidente, o médico demonstrou uma certa obsessão com a mídia. O médico fez anotações sobre as inúmeras entrevistas e aparições que concedeu durante a pandemia. Ele chegou a usar o temo “Fauci 5”, uma referência a quando apareceu em todos os cinco principais telejornais matinais de domingo.

Gazeta do Povo